O papel do consultor deficiente visual para uma audiodescrição de qualidade
Palavras-chave:
audiodescrição, consultor, qualidade, mercado, capacitaçãoResumo
Este artigo é fruto do trabalho dos autores desenvolvidos na CPL-Soluções em Acessibilidade e da tese de doutorado da co-autora sobre audiodescrição, defendida em 2014, no programa de Estudos da Linguagem da PUC-Rio.
ResumoEsse trabalho tem por objetivo relatar a evolução das estratégias do CPL-Soluções em Acessibilidade no que tange a consultoria das pessoas com deficiência visual, visando garantir o aprimoramento da qualidade dos produtos audiodescritos pela referida instituição, bem como, discutir os limites e possibilidades impostos pelo mercado em relação a demanda por audiodescrição e a viabilização de uma consultoria qualitativa. Três diferentes formas de consultoria foram efetuadas nos últimos quatro anos e a atuação do consultor ocorreu de maneira distinta, de acordo com as especificidades de cada projeto. Sempre acreditando na parceria entre o responsável pela audiodescrição e o usuário, o CPL iniciou esse trabalho de consultoria através do estabelecimento de uma parceria com uma instituição de deficientes visuais do estado do Rio de Janeiro, cuja função era formar pequenos grupos heterogêneos de usuários ou não da AD, para gerar relatórios com críticas e sugestões a serem incorporadas nas audiodescrições dos filmes do projeto Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito – versão Videoteca. Por conta do prazo para a entrega do projeto, patrocinado pela Petrobras, somente parte dos filmes foi avaliada e nem todas as sugestões puderam ser acatadas, tanto pela questão do tempo, como devido à inadequação as normas da AD, as quais eram desconhecidas pelos usuários. A segunda consultoria foi feita a partir da avaliação posterior das audiodescrições de filmes e programas transmitidos pela TV Globo e TV Brasil. O prazo dado pelas emissoras para a entrega da AD vem inviabilizando a participação do consultor para a alteração do produto, servindo como controle de qualidade posterior e guia para as audiodescrições futuras. A terceira e última forma de consultoria, por nós, considerada ideal, foi experimentada na 9ª Mostra de Direitos Humanos. Nela, o roteiro é construído juntamente com o consultor deficiente visual. Essa forma de produção coletiva do roteiro tem sido muito mais eficiente para o nosso trabalho, entretanto, só é possível em projetos com prazos mais longos, o que é raro no mercado atual. Essas experiências vem nos fazendo refletir não só sobre a importância da participação do consultor, mas também da formação necessária para esse profissional. O fato de ser deficiente visual não garante uma consultoria de qualidade. Quem deseja trabalhar na área de consultoria precisa não somente da prática, mas ter o domínio teórico sobre AD.
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