Acessibilidade cultural: áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual

Autores

  • Ana Beatriz Lago de Moraes
  • Ana Maura Araújo Lopes
  • Maria Cecilia Tavares

Palavras-chave:

áudio-descrição, acessibilidade cultural, arte, deficiência visual

Resumo

Todo ser humano esta inserido em uma cultura onde ele próprio a constituiu através de suas experiências de vida construindo assim a sua história. Para que a pessoa com deficiência possa ter garantido o seu direito de participar, seja como criador ou espectador, das atividades culturais, há de se criar mecanismos e estratégias que assegurem as condições de acessibilidade. No que se refere à inclusão cultural das pessoas com deficiência visual destacamos, para este estudo, o recurso de áudio-descrição como ferramenta fundamental de acessibilidade.  Com os estudos e a apropriação dos novos recursos tecnológicos do mundo contemporâneo, a áudio-descrição ganhou avanços e se profissionalizou. No entanto, existem poucos espaços culturais que oferecem este recurso na cidade do Rio de Janeiro. Assim, o jovem com deficiência visual continua excluído do universo cultural não tendo a possibilidade de usufruir de forma acessível das obras artísticas. A presente pesquisa foi realizada com objetivo de investigar os benefícios do áudio-descrição para estes jovens que desconheciam, até então, este recurso. A mostra do estudo foi composta de jovens alunos da Rede Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, sendo cinco com cegueira e cinco com baixa visão. A pesquisa foi realizada no Instituto Municipal Helena Antipoff, que é o órgão da Secretaria Municipal de Educação responsável pela Educação Especial. O estudo foi desenvolvido na Oficina de Áudio-descrição que se constitui como um espaço de observação e experimentação da apreciação de diversas obras artísticas com o referido recurso. Os alunos assistiram a dois espetáculos teatrais, três filmes, sendo um em DVD. A pesquisa de caráter qualitativo foi constituída por materiais orais utilizando questionário semiestruturado aplicado após assistirem as obras com e sem áudio-descrição. Levantou-se dados a cerca das personagens, suas características, cenários, conteúdo das obras inferindo sua opinião sobre a nova vivência. Os alunos relataram satisfação em conhecerem e utilizarem o recurso. Constatou-se, pela análise dos dados, que os mesmos apresentaram dificuldade em compreender algumas informações que foram áudio-descritas. Observou-se que nos filmes assistidos, a sonoplastia, a música e as vozes das personagens, dificultaram a percepção da voz do áudio-descritor, nos levando a intuir, pelos depoimentos, que isto se deve ao fato de não estarem familiarizados ao uso do recurso. Ressalta-se a necessidade de considerar a áudio-descrição como um recurso pedagógico. A escola deve oportunizar ao aluno a apreciação de diferentes obras artísticas com áudio-descrição desde a educação infantil, garantindo-lhe, desde cedo, sua efetiva inclusão cultural.

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Publicado

01/06/2014

Edição

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Seção Principal

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Como Citar

Acessibilidade cultural: áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual. (2014). Revista Brasileira de Tradução Visual, 18(18), e2014051811. https://rbtv.proinclusao.com.br/index.php/rbtv/article/view/165

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